A tão esperado volta por cima – Por William Eduardo Braga Soto
Montagem teatral: A Voz que me resta
Montagem: MEF – Mostra de Espetáculos de Formação de Produção Cênica
William Eduardo Braga Soto[1]
O espetáculo "A Voz que Me Resta" é carregado de tensão, onde amor, poder e resistência se misturam numa vila cheia de conflitos e mágoas profundas. Inspirado em "Gota d'Água", de Chico Buarque e Paulo Pontes, o texto e a estética brechtiana convidam a gente a pensar nas relações humanas, no domínio e na luta por autonomia.
Desde o começo, uma música calma e o semblante sério dos atores já criam um clima pesado na cena. A estética, com várias vozes e falas dominadas por alguns personagens, reforça esse ambiente tenso, enquanto a música ao vivo deixa tudo ainda mais intenso.
Logo de cara, o espetáculo entra com uma melodia tranquila, todo mundo sério, e o clima fica meio pesado, a estética está muito boa, as vozes em conjunto e o jeito que falam deixam tudo meio inquietante. Apesar de não conseguir escutar muito bem o que eles falavam — talvez pela falta de projeção de voz ou pela sonoplastia alta —, eles conseguiram deixar tudo dinâmico.
A discussão entre alguns personagens nos prende, cheia de argumentos que se encaixam, tipo um jogo de xadrez. O jeito que ele trata ela é bem bruto, mas ela mostra que tem força, que não é qualquer uma que abaixa a cabeça. Isso me surpreendeu, porque pensei que ela seria aquela mulher sofrida, mas não, ela deu a volta por cima e fez a plateia se orgulhar dela.
Agora, teve umas cenas que não me convenceram muito, especialmente aquelas conversas entre os três no bar, que quase me fizeram cochilar. Faltou ritmo, faltou algo que segurasse a atenção — parecia meio sem sentido, quase irreal, e as falas não me prendiam, eram meio "sem graça" de ouvir. Aí, numa hora, entra uma música e uma dança que dão uma animada na cena, e a gente logo volta a prestar atenção. Um ponto interessante foi a escolha do formato do palco: optaram pelo palco sanduíche, com três cenários. Porém, em algumas cenas, quem estava de um lado da plateia não conseguia ver direito o que acontecia do outro lado, principalmente as expressões dos atores. Por exemplo, a cena do Jasão deitado no colo da Alma, que era superimportante, não ficou clara para todo mundo. Isso acabou tirando um pouco da imersão
Falando dos personagens, Alma, mulher atual de Jasão, e Joana deram um verdadeiro show de emoção. Joana carregava uma raiva tão intensa que dava para sentir no ar, e a voz dela, junto com a entrega da cena, foi simplesmente poderosa. Quero deixar os parabéns especial para a atriz El Gomes, que arrasou no papel de Joana. Se ela tivesse um solo, eu com certeza iria assistir, porque ela praticamente carregou o espetáculo nas costas.
No geral, o espetáculo mostra bem como é difícil para a mulher nessa história toda — ela sofre, aguenta muita coisa, mas chega uma hora que cansa, né? E aí fica aquela dúvida: será que vale sempre colocar os outros em primeiro lugar e esquecer da nossa saúde mental? Então fica um questionamento muito importante sobre o papel da mulher na sociedade, e o quanto ela tem que aguentar para mostra que ela e capaz. E também como muitas mulheres se dedicam tanto a família e o marido e no final eles dão as costas a quem mais os ajudou.
Algumas frases importantes ditas em cena:
O comentário do Jasão dizendo que artista tem que aceitar tudo pra não passar fome? É duro, mas é a real do mundo artístico e muitos acabam de sujeitando a a certas situações. E no final, a frase "Em briga de marido e mulher se mete a colher sim" fecha com chave de ouro, mostrando que a gente não pode se calar diante da injustiça.
27 de agosto de 2025
[1] Graduando do curso de Licenciatura em Teatro – UFPA; crítica teatral produzida como atividade acadêmica da disciplina "Teatralidades Contemporâneas" ministrada pelo professor Edson Fernando.
FICHA TÉCNICA
Direção:
Sofia Alvarez
Assistência de Direção:
Cau Martins
Rosa dos Anjos
Elenco:
AL Gomes,
Ally
Dan Costa
Krystara
Matheus Martins
Rubens Leal
Xviccy
Músicos:
Bruno Ramos
Cau Martins
Igor Diniz
Larih Paes
Rafael Dias
Rosa dos Anjos
Verena Brito
Vitor Colares
Cenografia:
Jully Campos
Iluminação:
Arthur Mello
Figurino:
Elcio Lima
Assistência de figurino:
Igor Quadros
Videomaker:
Dan Costa
Edição de Vídeos:
Dan Costa
Cau Martins
Arte gráfica:
Elcio Lima